Estou indo em direção à tua casa, piso mais forte, o velocímetro dispara, logo eu vou chegar. Mais à frente, uma curva - é longa e não vejo seu fim, mas ela me chama. O carro ganha velocidade e não segue a curva. A minha trajetória é reta. Não sei o que mais me espanta: não conseguir fazer a curva ou não querer fazê-la. Vejo a parede cada vez mais próxima. A morte é iminente, eu sinto. "Saindo pela tangente", penso - uma última piada diante da morte e como não? Ela também faz suas piadas, todo dia. Finalmente estou diante do muro e acabou. Acordo sobressaltado, o coração disparado, não sei o que sinto, mas não é medo. Aperto as mãos firmemente no volante e respiro fundo, esperando que o coração volte ao seu ritmo normal, enquanto acelero o carro. Não quero que você perceba nada - estou indo em direção à sua casa e tem uma curva mais à frente.
(Arnaldo Vieira)
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